Blog do Nico - Caricaturas e charges- nico@mundoemrabisco.com


Entrevistas com Nico

O jornal "Em Tempo" publicou matéria sobre o meu livro "Henfil - o humor subversivo".

Pra quem quiser ler:

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=920&IdCanal=4&IdSubCanal=&IdNoticia=78772&IdTipoNoticia=1

Segue também uma entrevista comigo que acabou não sendo publicada (as fotos também eram para a matéria).

Fica como registro para aqueles que querem seguir essa profissão de riscos. E para os curiosos de plantão

me conhecerem um pouco melhor.

Nome (e também o apelido que assina), idade e quanto tempo está na profissão?

 

O meu nome é Márcio Malta e assino os desenhos com o pseudônimo de Nico. Tenho 25 anos e

atuo profissionalmente há oito.

 

Já trabalhou com algo antes? O que?

Além de cartunista sou professor de sociologia e pesquisador da área de charges, com mestrado

em ciência política sobre o assunto (com tese de doutorado no forno).

 

Em que momento da vida, e por que, decidiu tornar-se cartunista?

A decisão em me tornar cartunista veio naturalmente, como uma conseqüência pelo gosto de desenhar.

Mas desde o princípio já tinha um sentimento muito forte de que era isso que eu queria para a minha vida.

 

 

Conte um pouco sobre sua trajetória profissional – os lugares que trabalhou e

experiências tiradas de cada um.

 

Sou um jovem cartunista e iniciei o meu trabalho publicando trabalhos em publicações de movimentos

sociais, como jornais de sindicatos e partidos políticos, além de uma estreita colaboração para o movimento

 estudantil. Com o tempo passei a veicular as minhas artes pela internet, que impulsionou a minha carreira em

grande escala, inclusive em termos de prestação de serviços na área de caricaturas por encomenda, ou em festas

e eventos (através do site http://www.mundoemrabisco.com). Dos órgãos impressos destaco como a mais

importante a colaboração para o jornal “O Pasquim 21”.

 

Há diferentes estilos nos desenhos e histórias? Quais são? E que linha dessas

vc segue?

Existem tantos estilos quanto existirem desenhistas. Alguns mais realistas, outros mais cômicos. Me enquadro

no desenho de humor com uma vertente política e engajada de crítica social. Para mim a idéia vem antes do desenho,

pois não me prendo a formalismos, deixando o meu traço correr solto.

 

Seus quadrinhos se remetem a que? (política, comédia, etc).

A minha produção artística está intimamente ligada à intervenção crítica na sociedade. Posso definir o meu trabalho

com as charges como um humor de combate. No quesito das caricaturas, sem dúvida dá um grande prazer

personalidade que gosto, como mestres do cinema e da música, enfim personalidades públicas carismáticas

e que me cativam.

 

Como vê a importância da charge e dos cartoons em jornais e veículos de

comunicação?

Enxergo a charge como um instrumento de informação crítica e ao mesmo tempo descontraída. Por não ter

compromisso com o real, pode inventar situações e inverter papéis. Nos veículos de comunicação a charge

funciona como um auxílio à notícia, uma interpretação bem humorada dos fatos cotidianos.

O chargista é um jornalista do traço.

 

 

Acha que tem preconceito para aceitação?

O espaço para os cartunistas publicarem é muito exíguo, por conta da pouca variedade de órgãos de imprensa.

Os poucos lugares que existem já possuem os seus artistas, ou sequer valorizam esse tipo de arte.

 

E o mercado de trabalho? Como é a inserção nesse ramo?

O aspecto positivo é que o mercado não é limitado. Um cartunista pode atuar em diversas esferas,

não só no jornalismo, como na publicidade e entretenimento.

 

 

Desenhar é talento nato ou algo que pode ser desenvolvido?

Tenho a opinião de que “todos os homens são desenhistas”. Não existe talento nato, mas sim uma

predisposição para o desenho. Mas com muita dedicação qualquer pessoa pode desenvolver um estilo

e sair rabiscando e colorindo o mundo por aí. Basta desejar e se empenhar. Nos cartuns o que mais

 importa é o conteúdo, a mensagem que o artista quer transmitir.

 

O que é necessário para ser um bom cartunista e se destacar?

É importante ser bem informado e desenvolver uma cultura geral, para que consiga abranger e criar

os mais diversos tipos de situações e – o mais importante – ser compreendido pelo público. Com o

tempo se desenvolve um jeito especial de se cativar o leitor através de emoções e sentimentos que

um personagem pode passar.

 

Quais são as opções de trabalho?(lugares para atuar, como jornais, por

exemplo) e quais são as principais diferenças de desenhar para tais locais?

A imprensa sempre abrigou os chargistas, por ser um espaço que preza a opinião. Mas, com a Internet,

por exemplo, as possibilidades cresceram, pois ficou mais fácil para um artista “lançar a sua garrafa ao mar”.

Hoje um cartunista não precisa mais estar preso a determinado jornal de uma cidade. Somente para exemplificar,

na semana passada recebi um e-mail de um cartunista do Sudão me cumprimentando pelo trabalho, assim como

 neste momento estou em conexão com uma cliente na Inglaterra, realizando caricaturas pela Internet através de

 fotos para particulares.

 

Principais dificuldades enfrentadas por quem decidir enveredar pela profissão?

A principal dificuldade é a instabilidade. Dificilmente um cartunista terá sua carteira assinada. Mas por outro lado

é válido, pois a insegurança faz o artista ousar mais, criar para sair de situações adversas. A remuneração também

é outro fator, pois muitas vezes as pessoas não valorizam o Cartum como a forma de arte que ele representa.

 

Sabe quantos personagens criou desde o inicio da carreira? Desses, quais os

que marcaram e por quê?

Criei alguns personagens esporádicos, como o Zé da Silva e Luís Manuel, o cineasta recém-formado. Mas sem dúvida os

meus personagens principais são os presidentes da república. Não são criações minhas, mas acabando ganhando a minha

cara nas charges que crio.

 

De onde vem a sua inspiração?

A leitura diária dos jornais é um bom começo. Porém, muitas das vezes vem em situações menos esperadas, como em

um ponto de ônibus, uma mesa de bar... Nesses casos é bom o desenhista estar sempre com um bloquinho e caneta por perto.

 

Há uma média salarial?

É difícil traçar uma média, depende do ramo em que atua. O setor publicitário, por exemplo, pode dar um bom retorno

ao artista que nele invista.

 

O que aconselha aos que estão começando agora?

Desenhe, desenhe e por último, desenhe. O desenvolvimento e reconhecimento vêm com o tempo. Vale a pena investir

 na carreira, comprando material, revistas e livros sobre o assunto, pois um artista nunca aprende sozinho, mas sim com

os mestres que o antecederam. Além do mais, lembre-se sempre do prazer que é trabalhar com algo que faz as pessoas

darem gargalhadas.

 



Escrito por Nico às 01:24
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