Um livro, programado para ser lançado neste ano, vai mostrar a trajetória do humor político
de Henrique de Souza Filho, o Henfil.
"Henfil - O Humor Subversivo", nome da obra, vai ser uma espécie de homenagem ao eclético
desenhista. Nesta sexta-feira, completam-se exatos 20 anos da morte dele.
O livro, escrito pelo sociólogo e cartunista carioca Márcio Malta, também conhecido como Nico,
vai ser publicado pela editora Expressão Popular.
A obra vai integrar a coleção "Viva o Povo Brasileiro", voltada a biografias de personalidades brasileiras.
A coleção é destinada ao público mais jovem. Por isso, o livro sobre o criador da Graúna e dos
Fradins terá uma linguagem mais acessível e preço mais em conta.
Assim como os outros títulos da série, foi planejado para custar R$ 3. A obra deve ter em torno
de 80 páginas. Todos os volumes da coleção são produzidos em formato de bolso.
Segundo Malta, a publicação vai mostrar a biografia de Henfil. Mas esse não será o mote principal
da obra. O enfoque será na atuação política dele.
"É impossível dissociar o Henfil da obra política [dele]", diz Malta, por telefone. "A geração de Henfil
foi muito marcada pela ditadura militar."
Para o pesquisador carioca, a atuação política de Henfil teve muita influência dos frades dominicanos
-que inspiraram os fradins- e do irmão, Herbert José de Souza, o Betinho, morto em 1997.
Esse lado político, no entender dele, é deixado um pouco de lado nas antologias mais recentes de
obras de Henfil.
Malta, hoje com 25 anos, diz que se interessa pela obra do desenhista há quase uma década.
A presença de Henfil influenciou, inclusive, em sua escolha profissional.
O interesse se converteu também num acervo de revistas, desenhos, estudos e entrevistas dele,
base da pesquisa para o livro.
"Teve uma fase da minha vida que eu entrava em sebos e perguntava se tinha Henfil", diz ele,
que defendeu no ano passado mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre charges de Jeca Tatu.
Henfil começou a publicar os primeiros trabalhos na revista "Alterosa", de Minas Gerais, no começo da década
de 1960. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez cartuns esportivos para o "Jornal dos Sports".
Dois anos depois, ainda no Rio, foi convidado a integrar a equipe do jornal alternativo "Pasquim", que se tornou
a principal janela de suas críticas ao regime militar.
Nessa fase, também publicou revistas em quadrinhos com seus personagens.
"Ele abordava temas atuais e conjunturais nos quadrinhos que fazia", diz.
"Essa linguagem do Henfil, mesmo com a censura do regime militar, conseguiu dar voz a uma geração."
Um caso emblemático é Ubaldo, o Paranóico. O personagem vivia com medo de ser pego pelos militares
e os via em qualquer situação. Juntava humor e crítica na mesma história.
Um dos pontos que chamava a atenção era seu traço, sintético e extremamente expressivo.
Segundo Malta, a velocidade no desenho -chamado de "caligráfico" por Millor Fernandes- era
conseqüência de dores no joelho, que o impediam de ficar sentado por muito tempo.
O problema seria causado por problemas de coagulação. O desenhista e os dois irmãos eram
hemofílicos, doença genética que causa hemorragias. Os três contraíram Aids em transfusões
de sangue.
Foram complicações causadas pelo vírus HIV que causaram a morte de Henfil, em 4 de janeiro
de 1988, no Rio de Janeiro.
Márcio Malta pretende ampliar a homenagem ao desenhista com uma exposição chamada
"20 Anos sem Henfil". Ele já começou a contatar um grupo de desenhistas para fazer uma
releitura da obra de Henfil.
A primeira idéia é inagurar a mostra em agosto, mês em que Henfil completaria 64 anos.
O pesquisador planeja lançar o livro na mesma ocasião.
Escrito por Nico às 11:10
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